• Reinaldo Cirilo

Influenciadores e micro-influenciadores digitais. Você pode precisar deles...


Neste mês de setembro, consegui um espaço na minha agenda e passei um dia no Social Media Week. Um tradicional evento mundial, que é focado em mídias sociais e novidades para o setor. Por pura curiosidade, das 7 palestras que pude acompanhar no dia, eu acabei escolhendo 5 sobre os temas influenciadores digitais, micro influenciadores e assuntos correlatos.

O assunto para mim não era novidade (teve muita groselha também – no mau sentido), além do que, eu já venho estudando e participando desse fenômeno, muito antes dos tais Youtubers fazerem um sucesso estrondoso entre os jovens e entre as marcas.

No início dos anos 2000 e até um pouco antes, surgiram os primeiros grandes nomes da internet do Brasil. Muitos deles, pioneiros na rede e iniciando com blogs de diversos assuntos. Posso citar entre eles o Nemo Nox, considerado o primeiro blogueiro do Brasil com o site Diário da Megalópole, o Interney que dispensa comentários, o Guanabara que falava de tecnologia; mais tarde vieram Rafinha Bastos que tinha o blog do Rafinha, PC Siqueira, Não Salvo (que possuía comunidades no Orkut), Felipe Neto e muitos outros, que ainda hoje continuam na estrada.

Estes caras foram os pioneiros do que chamamos hoje de influenciadores digitais. A conotação e importância que se dava na época é que mudou. Na verdade as mídias sociais criaram uma grande revolução no Marketing contemporâneo e alguns personagens se profissionalizaram.

Certa vez ouvi uma frase que me marcou demais, talvez em algum dos cursos sobre o tema que eu fiz há muitos anos atrás que era o seguinte: “Na era das mídias digitais, o consumidor vira marca e a marca vira consumidor”. Isso dizia muita coisa, principalmente para quem desbravava as redes logo no começo, pois as marcas se tornaram vulneráveis e tiveram que aprender de uma hora para outra essa nova dinâmica de serem peitadas por consumidores/internautas.

Outro paradigma que foi quebrado, foi que as pessoas perderam o interesse pela publicidade/propaganda e o pior, não acreditam mais nesse tipo de comunicação. Com isso, a recomendação e o boca-a-boca, voltam a se tornar fundamentais, para qualquer estratégia de negócios e marketing.

As empresas sofrem e já não é de hoje, com a era da saturação das marcas devido ao excesso (segundo o Word of Mouth Marketing Association – as marcas são citadas 3,3 bilhões de vezes todos os dias – só na América do Norte) , e está cada vez mais difícil aparecer e desenvolver uma estratégia de comunicação eficiente. O excesso de dados e informações; troca de arquivos; banners e retarget, apenas como exemplo, vem causando uma rejeição enorme das marcas, principalmente pelos jovens hiperconectados.

Neste contexto surgem os influenciadores digitais e os micros influenciadores. Como as pessoas viraram marcas e a recomendação nas redes (boca a boca) dá as cartas, as marcas se viram obrigadas a participar dessa conversa, sem muita interferência e sem ser invasiva. Assim o papel desses novos agentes ganha uma notoriedade enorme.

Os influenciadores (consideramos os que possuem mais de 100 mil seguidores) são em sua maioria hoje, profissionais. Eles cobram bem $$$, tem impacto e alcance. Os micros-influenciadores (menos de 100 mil seguidores) fazem do seu hobby, sua grande identidade, se satisfazem com amostras, valores menores e têm: frequência; engajamento; autenticidade e identificação com a marca.

Para se ter uma ideia, no app Instagram, segundo pesquisa do site: takumi.com (com 500 mil perfis), a taxa de engajamento funciona assim:

- Até 1.000 followers 9,7% de engajamento

- 1.000 até 4.000 followers 4,5 % de engajamento

- 4.000 até 100.000 followers 2,4% de engajamento

- + 100.000 followers 1,7% engajamento

O que tiramos de lição destes números, é que sempre precisamos ter em mente o foco da ação. Se for para dar um tiro de canhão, uma sacudida na ação que tenha link com determinado influenciador com mais de 1 milhão de seguidores, ótimo...faça. Mas só número não é determinante de campanhas. O micro-influenciador gera 5X mais engajamento do que influenciadores com mais de 100 mil seguidores. Eles engajam 22 X mais em conversas sobre produtos do que o consumidor comum e 82% dos consumidores declararam que consideram fortemente uma ação a partir da recomendação de um micro-influenciador (segundo dados da pesquisa da Takumi).

Então, se você pensa em usar esse novo “protagonista” das mídias sociais na sua estratégia, pense bem. Não escolha por impulso, investigue o histórico dos caras, as polêmicas que se envolveu, simpatia e empatia com a galera que o segue, quanto custa e etc. Se ele comunica e endossa sua marca, temos que ter muita responsabilidade ao escolher essas pessoas.

O mais bonito da rede ou o mais sarado, não é necessariamente o que vende mais, pense nisso.

Deixo também uma reflexão sobre o que é Marketing, pois muita gente vem esquecendo da parte técnica e de que o Marketing Digital chegou bem depois do Marketing:

“Marketing é a atividade, conjunto de instituições e processos para criar, comunicar, oferecer e trocar ofertas que tenham valor para consumidores, clientes, parceiros e para a sociedade como um todo.” (Kotler, 2010).

Até uma próxima.


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