• Reinaldo Cirilo

RH fraco, empresa idem...



Já faz um tempo que quero escrever sobre o mundo corporativo, RH, profissionais mais experientes e tudo que circula esse mundo.


Atuei durante muitos anos em empresas multinacionais e tive a oportunidade de trabalhar com o chamado RH dessas empresas e do mundo corporativo em geral.


Durante minha atuação corporativa, eu vi e vivi diversos absurdos na gestão dos funcionários e das empresas corporativas.


Foram anos e anos me deparando com erros crassos na gestão das pessoas e nas contrações e isso compromete de maneira absurda o andamento dos negócios, gerando perdas irreparáveis e prejuízos gigantescos para as companhias.


Já presencia contrações completamente fora do que a empresa pregava, já vi funcionários da área comercial, verdadeiros monstros da área de vendas serem demitidos por não falarem inglês, por exemplo (e entregando resultados fenomenais mês a mês), já vi gente medíocre se perpetuando na empresa (que assediavam moralmente e sexualmente seus funcionários) por ter boas amizades com a alta direção e assim vai.


Em alguns momentos da minha carreira fui convidado para entrevistas, com gestores completamente mal-educados, despreparados e com o nariz em pé (distratando pessoas convidadas para a empresa dele, para ocupar uma vaga), pessoas que com o mínimo de percepção e tato, qualquer um de nós teríamos a certeza que não deveriam estar ali.


Nos últimos tempos tenho reparado na quantidade de profissionais com perfil sênior e isso também implica na idade – acima de 40 anos, simplesmente esquecidos pelas empresas. As mesmas que em sua comunicação e marketing pregam igualdade de gênero, raça, credo... mas que que de maneira usual pouco se importam com profissionais acima de determinada faixa etária.


Eu conheço dezenas de executivos, com muita experiência que poderiam ser úteis para as companhias, que possuem 20, 30 anos de carreira e que passaram por diversas crises, sejam elas econômicas, sejam crises de gestão e poderiam abrilhantar com sua sabedoria e com muito tato um momento tão complicado que o país vive, como a pandemia e teriam uma visão macro, bem especial para enfrentar as dificuldades deste período. Mas o que o RH com a anuência talvez de uma alta gerência pensa? Que não, eles não servem, são velhos demais ou possuem (pasmem) muita experiência para determinada função.


Eu mesmo em um passado não tão distante, fui convidado a participar de um processo seletivo e me deparei com todas essas questões. Na vaga anunciada e durante o processo, eu percebi que tinha todas as características e vivência para ocupar tal posição. Minha experiência de quase 10 anos em empresas multinacionais, me qualificavam sobremaneira para a vaga.


No decorrer do processo, percebi que a gestora da vaga se sentiu um tanto desconfortável com a minha capacidade técnica. E em muitos momentos questionava: “mas você não se acha muito preparado para esta vaga?” Ué? Se aceitei participar e escutar a proposta, já sabia muito das exigências, salários e desafios em jogo, quando topei participar, pois todas as condições já estavam na mesa.


E o que aconteceu? Recebi um feedback, do RH que a vaga foi ocupado por uma pessoa com menos experiência que eu, pois eu era muito capacitado – parece mentira, né? Como uma área da empresa, que deve buscar o melhor para a companhia tem a capacidade de fazer este tipo de análise? E então decidiram: vamos com o que tem menos experiência, com o que não teve a mesma experiência e descartamos o que tem maior vivência, técnica, formação e contatos. Algo bem difícil de explicar e de compreender, em um momento tão delicado da nossa economia, vamos buscar pelo mesmo salário e benefícios, alguém inferior – seria o mantra atual.


Não consigo processar um comportamento desses em pleno 2021. Se você é funcionário, dono, gestor de uma empresa, não deveria buscar o melhor pra sua companhia? Ela não precisa de resultados, não precisa expandir sua atuação, encontrar novos formatos de negócios, para continuar sobrevivendo? Pois é, mas tenho ouvido e lido relatos cada vez mais comuns sobre essas escolhas.


Aqui cabe um parêntese, não tenho nada contra profissionais jovens, com excelentes formações, que falem uma dúzia de idiomas e que com 22 anos já tenham um MBA. Não os vejo nem como adversários, mas acredito que a fórmula do equilíbrio deveria pesar mais nas decisões de uma área tão estratégica de uma empresa.


Em um momento de crise, as empresas precisam de profissionais maduros sim!!! Precisam de cabelos brancos, técnicos e com inteligência emocional para ajudar nas decisões e contribuir no caminho a ser seguido, ao lado de jovens cheio de gás para formarem um time vencedor. Mas a realidade não é essa.


Óbvio que a maturidade não está implícita somente na idade, temos jovens profissionais que são bem experientes e viveram situações ímpares nas suas carreiras, mas o normal é o tempo dar o tom.


Infelizmente quem perde são as empresas e o país. São empresas frágeis, que torram dinheiro com investimentos medíocres, a cultura das startups que jogam pelo ralo milhões de reais de investimentos, muitas vezes por falta de um RH estratégico que saiba se utilizar da sabedoria e vivência de algum profissional mais experiente.


Enquanto isso, a gente vê a cada dia mais empresas quebrando, sólidas como um castelo de areia, sendo esfareladas pela crise e o RH que poderia ser o grande gerador da mudança dessa cultura, assistindo tudo de camarote e tocando seus violinos, enquanto o Titanic afunda nas profundezas de um mar sem fim.

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